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NR-1 atualizada: o que muda com os riscos psicossociais e como isso impacta sua empresa
Publicado em 15 de julho de 2026 - Tempo de leitura: 9 a 10 minutos
A atualização da NR-1 traz um ponto que muitas empresas já enfrentavam na prática, mas ainda tratavam sem estrutura: os riscos psicossociais.
Durante muito tempo, a saúde mental apareceu em iniciativas isoladas — pesquisas de clima, programas de bem-estar e ações pontuais. Agora, ela passa a fazer parte formal da gestão de riscos, dentro do GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
Isso muda a forma como o tema deve ser tratado: deixa de ser uma pauta de intenção e passa a exigir método, acompanhamento e registro.
Índice
O que é a NR-1?
A NR-1 é a norma que estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho no Brasil.
Ela define como as empresas devem estruturar o gerenciamento de riscos ocupacionais, por meio do GRO, operacionalizado pelo PGR.
Na prática, orienta quatro etapas básicas:
- identificação de riscos
- avaliação
- controle
- monitoramento
Mais do que listar exigências, a NR-1 define como esse processo deve acontecer de forma contínua e documentada.
A norma foi atualizada em 2020, mas a obrigatoriedade efetiva do GRO e do PGR passou a valer em 2022. Foi nesse momento que ela substituiu modelos anteriores, como o PPRA, trazendo uma abordagem mais integrada.
A inclusão dos riscos psicossociais surge como um desdobramento dessa evolução — acompanhando mudanças no próprio ambiente de trabalho.
Quais riscos já eram considerados antes dos psicossociais?
Antes dessa ampliação, o PGR já exigia o mapeamento de diferentes tipos de riscos ocupacionais mais tradicionais. Entre os principais:
- Físicos: ruído, calor, vibração, radiação
- Químicos: poeiras, fumos, gases, vapores
- Biológicos: vírus, bactérias, fungos
- Ergonômicos: postura inadequada, esforço repetitivo, levantamento de peso, ritmo de trabalho
- Acidentes (mecânicos): quedas, choques elétricos, máquinas e equipamentos
Esses riscos sempre estiveram ligados ao ambiente físico ou às condições operacionais do trabalho.
O que mudou na NR-1?
A principal mudança foi a inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no GRO e no PGR.
Isso significa que fatores relacionados à organização do trabalho e às relações profissionais passam a ser tratados como risco ocupacional.
Entre eles:
- pressão excessiva
- sobrecarga de trabalho
- falhas de liderança
- conflitos recorrentes
- falta de clareza de função
Esses riscos deixam de ser tratados de forma isolada e passam a exigir a mesma lógica dos demais: identificação, avaliação, acompanhamento e tratamento estruturado.
O que são riscos psicossociais no trabalho?
Riscos psicossociais são fatores ligados à forma como o trabalho é organizado e à forma como as relações se estabelecem dentro da empresa, que podem afetar a saúde mental e o desempenho dos colaboradores.
Eles não estão no ambiente físico — estão no contexto em que o trabalho acontece.
Alguns exemplos:
- metas pouco realistas
- comunicação falha
- liderança despreparada
- excesso de demanda
Quando persistentes, esses fatores aumentam a probabilidade de estresse, esgotamento e afastamentos.
O que muda para as empresas?
Com a entrada dos riscos psicossociais no PGR, o impacto principal está na forma de gestão.
Esses riscos passam a:
- ser reconhecidos formalmente como riscos ocupacionais
- exigir tratamento estruturado
- precisar de registro e acompanhamento
Isso amplia o nível de responsabilidade da empresa.
Se o risco existe e não é tratado, há exposição.
Se não há registro, não há como comprovar a gestão.
Além disso, a empresa passa a precisar olhar não apenas para o ambiente físico, mas para o modo como o trabalho é organizado — incluindo gestão, cultura e relações internas.
Principais desafios para as empresas
O maior desafio não está em entender a norma, mas em colocá-la em prática de forma consistente.
O primeiro ponto é a dificuldade de identificar esses riscos. Eles não aparecem de forma evidente, como um acidente ou um agente físico. Normalmente, surgem em padrões: aumento de afastamentos, queda de engajamento, alta rotatividade em determinadas áreas.
Outro entrave comum é a falta de integração entre dados. Informações relevantes existem, mas ficam dispersas entre RH, DP e áreas de saúde ocupacional. Sem consolidar essa leitura, a empresa não consegue ter uma visão clara do risco.
A liderança também entra como fator crítico. Grande parte dos riscos psicossociais está ligada à forma como o trabalho é organizado no dia a dia. Sem preparo dos gestores, qualquer ação tende a perder eficácia.
Por fim, muitas empresas ainda tratam o tema de forma superficial, com iniciativas que ajudam na percepção, mas não resolvem a causa — como ações pontuais de bem-estar sem revisão da estrutura de trabalho.
O que precisa ser feito para adequação
A adequação à NR-1 não passa necessariamente por criar novas iniciativas, mas por estruturar melhor o que já existe.
O primeiro passo é entender o cenário real da empresa. Isso envolve analisar dados como absenteísmo, afastamentos por saúde mental, turnover e resultados de pesquisas internas. O valor está em cruzar essas informações para identificar padrões.
A partir disso, é necessário traduzir esses sinais em riscos estruturados, que possam ser incluídos no PGR. Isso permite priorizar e direcionar ações de forma mais objetiva.
As medidas adotadas precisam atuar na causa. Em muitos casos, isso significa revisar metas, redistribuir carga de trabalho, ajustar processos ou investir na formação da liderança.
Também é fundamental estabelecer um acompanhamento contínuo. Sem medição, não há gestão — e sem histórico, não há como demonstrar conformidade.
Por fim, tudo precisa estar documentado. Diagnóstico, decisões e ações devem ser registrados de forma clara. É isso que sustenta a empresa em auditorias e reduz exposição jurídica.

Conclusão
A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 não cria um novo problema, mas muda a forma como ele deve ser tratado.
O que antes ficava restrito ao campo da cultura organizacional agora exige estrutura, método e evidência.
Para RH, Departamento Pessoal e compliance, isso amplia o papel dessas áreas, que passam a atuar diretamente na gestão de riscos e não apenas no suporte à operação.

